terça-feira, 19 de maio de 2009

Edição sobre ”psicodélicos e budismo” da revista americana Tricycle (do outono de 1996)

O objetivo da revista foi reunir professores de meditação e outros especialistas para tentar responder uma pergunta:

- Qual é a relação das substâncias psicodélicas com a prática do budismo, já que boa parte da 1ª geração de ocidentais budistas se converteu após experiências psicodélicas?

Um dos que opinam é Jack Kornfield, que diz em um trecho:

Muitas pessoas que tomaram LSD, cogumelos e outros psicodélicos — frequentemente junto com leituras do “Livro Tibetano dos Mortos” ou algum texto zen — tiveram abertos os portões da sabedoria em algum grau. Eles começaram a ver que suas consciências limitadas eram apenas um dos níveis e que havia milhares de novas coisas a se descobrir sobre a mente.

Eles viram diversos novos reinos, tiveram novas perspectivas sobre nascimento e morte, e descobriram a natureza da mente e a consciência como um campo de criação ao invés de uma consequência mecânica do corpo. Alguns se abriram para além da ilusão de separação, rumo à verdade da unidade das coisas.

Mas, para manter essa visão, eles tiveram que continuar consumindo psicodélicos mais e mais. Mesmo que houvesse algumas transformações a partir dessas experiências, elas tendiam a irem se apagando para a maioria das pessoas.

Depois disso, alguns diziam: “Se não podemos manter a elevação da consciência que vem com os psicodélicos, vamos ver se há alguma outra maneira”. E então passaram por diversos tipos de disciplinas espirituais. Fizeram kundalini yoga e respiração bastrika, ou praticaram seriamente hatha yoga como sadhana, raja yoga, mantra e exercícios de concentração, visualizações ou práticas budistas, como uma maneira de trazer de volta aquelas profundas experiências e estados que chegaram por meio de psicodélicos.

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